Até um gambá escreverá com maestria sobre
perfumes depois de ler isto. Qualquer escritor — de redator de notas de rodapé
de TCC a escriba de notas de falecimento— aprenderão algo.
Hão de concordar os leitores que há escritas
criativas mais criativas do que outras. E por quê? Decerto, escrita apressada,
escrita não pensada, escrita não revisada, ou seja, escrita não planejada. Faça
isso e você será o próximo Itamar Vieira Junior ou não.
Siga estas regras e escreva coisas de dar
inveja em Machado de Assis, Conceição Evaristo e Alan Moore.
—Escreva desordenadamente, nada de
planejamento, nada de revisão, aliás revisão e planejamento é para os fracos.
Não defina
metas de escrita.
—Espere sempre pela inspiração.
—Escreva ocasionalmente, mensalmente ou anualmente.
—Escreva capítulos longos em parágrafos longos
e coloque neles ideias curtas.
—Leia pouco ou nada.
—Imite o estilo do seu escritor favorito ou
até mesmo escreva a mesma história que ele escreveu.
—Preencha o papel com clichês nada melhor
do que ser original.
—Está sem ideias? Pegue uma de alguém e
diga que foi inspiração, homenagem. Ideia velha com gravata e paletó novos.
—Seja prolixo, melhor colocar 30 palavras
em um parágrafo do que 5.
—Brevidade e concisão são defeitos.
—Voz passiva use e abuse.
—Faça de seu texto um jardim de advérbios e
adjetivos.
—Virgule do seu jeito, pois pontuação é
respiração. Respirou, virgule.
—Nunca reescreva, senão irá ao inferno de
Patrick Rothfuss e George R.R. Martin.
—Esqueça histórias curtas, insista em histórias
longas com centenas de personagens, “As crônicas de gelo e fogo” estão aí.
—Não estude gramática, você já sabe tudo.
—Entre uma palavra de uso corrente e uma
rara, opte pela rara, os leitores não saberão o significado dela, você parecerá
culto e inteligente. E antes parecer do que ser.
Com essas dicas valiosas qualquer escriba
escreverá complexas bulas de remédios e simples sagas épicas em 15 volumes.

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