quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

DICAS DE ESCRITA

 




Até um gambá escreverá com maestria sobre perfumes depois de ler isto. Qualquer escritor — de redator de notas de rodapé de TCC a escriba de notas de falecimento— aprenderão algo.
Hão de concordar os leitores que há escritas criativas mais criativas do que outras. E por quê? Decerto, escrita apressada, escrita não pensada, escrita não revisada, ou seja, escrita não planejada. Faça isso e você será o próximo Itamar Vieira Junior ou não.

Siga estas regras e escreva coisas de dar inveja em Machado de Assis, Conceição Evaristo e Alan Moore.

—Escreva desordenadamente, nada de planejamento, nada de revisão, aliás revisão e planejamento é para os fracos. Não defina metas de escrita.

—Espere sempre pela inspiração.

—Escreva ocasionalmente, mensalmente ou anualmente.

—Escreva capítulos longos em parágrafos longos e coloque neles ideias curtas.

—Leia pouco ou nada.

—Imite o estilo do seu escritor favorito ou até mesmo escreva a mesma história que ele escreveu.

—Preencha o papel com clichês nada melhor do que ser original.

—Está sem ideias? Pegue uma de alguém e diga que foi inspiração, homenagem. Ideia velha com gravata e paletó novos.

—Seja prolixo, melhor colocar 30 palavras em um parágrafo do que 5.

—Brevidade e concisão são defeitos.

—Voz passiva use e abuse.

—Faça de seu texto um jardim de advérbios e adjetivos.

—Virgule do seu jeito, pois pontuação é respiração. Respirou, virgule.

—Nunca reescreva, senão irá ao inferno de Patrick Rothfuss e George R.R. Martin.

—Esqueça histórias curtas, insista em histórias longas com centenas de personagens, “As crônicas de gelo e fogo” estão aí.

—Não estude gramática, você já sabe tudo.

—Entre uma palavra de uso corrente e uma rara, opte pela rara, os leitores não saberão o significado dela, você parecerá culto e inteligente. E antes parecer do que ser.

Com essas dicas valiosas qualquer escriba escreverá complexas bulas de remédios e simples sagas épicas em 15 volumes.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

O PESO DO PASSARO MORTO DE ALINE BEI

 


Pelas inúmeras críticas positivas, 

já era de se imaginar que Bei escreveu 

um pequeno grande livro.

Curto.

Cortante.

Chocante.

Sua escrita em verso, mesmo sendo uma prosa, 

já é uma estranheza.

Soma-se a isso os temas abordados:

 abuso, morte, relação fria entre mãe e filho.

Li numa tarde, poucos capítulos, de poucas páginas, e muitas reflexões.

Nem sempre se necessita de 500 ou 1000 páginas

 para se escrever um livro relevante

 e tocam seus leitores de forma singular e bela. 

Muitos, aliás, gastam páginas à toa e não tocam os seus leitores. 

O contrário pode ser dito de O peso do pássaro morto.

A FÁCIL ARTE DE ESCREVER UM ROMANCE

  (Este texto foi escrito com pressa, sem revisão nem nada.) Nunca pensei que conseguiria escrever um romance, se é que aquilo possa ser...